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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

São Tomé e Príncipe- O Natal dos Passos. Presépios infantis Com poema da matriarca Alda Graça do Espírito Santo -Arte natalícia que conheci desde 1963 erguidos nesta altura mas maravilhosas ilhas verdes do Equador

                                                      Jorge Trabulo Marques


São Tomé e Príncipe- O Natal dos Passos. Presépios infantis Com poema da matriarca Alda Graça do Espírito Santo -Arte natalícia que conheci desde 1963 erguidos nesta altura mas maravilhosas ilhas verdes do Equador - No país mais pequeno e mais pobre de África, não por falta de recursos, em terrenos férteis e produtivos todo o ano, mas mal geridos e corrompidos.




  O presépio natalício, vulgarmente conhecido pelo “Passo”, é uma das referências culturais mais antigas da Ilha de São Tomé, criada desde o tempo colonial – Feitos com pauzinhos cortados de andala com o machim (das folhas de palmeiras) e vergas de canas de bambu, enfeitadas com algumas flores da floresta,  imitando pequenas ermidas ou a igreja da Sé, construídas junto às modestas cubatas à beira da estrada, sobretudo à medida que se deixava a cidade, a capital e se penetrava no interior da Ilha, alumiadas por tochas de óleo de palma em pedaços de mamão, iluminando  a Noite de Natal  - Que se prolongavam durante a quadra natalícia

Sim, os tais presépios genuínos do Povo que eu conheci nos anos 60 e 70 e cantados por Alda da Graça Espírito Santo, - Naquele seu lindo poema, "Natal na Ilha", a par   da celebração do dia “dá chinja” da  festa da família na Quarta-feira de cinzas. Os costumes, vão-se degradando, profanando e artificializando  - Sei que ainda há quem não queira deixar cair no esquecimento, essas graciosas manifestações artística ou deste ou daquele humilde casebre de madeira, porém, aqui lhe deixo algumas imagens que pude recuperar em artigos por mim publicados na revista Semana Ilustrada, de Luanda.

NATAL NA ILHA – ONDE SONHAR COMEÇA A SER PROIBIDO -Recordando o poema de Natal  - de Alda Graça Espírito Santo




NATAL NA ILHA

Ao cair da tarde, pelas estradas da Ilha
Cabaninhas de andala
Tecidas por dedinhos de garotos,
É a nota tocante do Natal.
Uma tocha de mamão
É o luzeiro no caminho
Alumiar o “passo”.

Mas o exotismo dos trópicos
Descendo pelo calendário dos festejos
Faz do “Dá chinja” a festa da família.
Quarta-feira de cinzas
É cara ao coração da nossa gente,
Onde se sente a ausência dos finados.
Na hora do “angu”,
Do clássico calulú de Peixe
Todos se juntam,
Nas roças, nas grutas, nos ermos mais perdidos,
Em redor da mãe velhinha,
Da avó da carapinha branqueada
Na tradição festiva do “Bocado”.
P’las mãos dessa velhinha solene
todos, todos, recebem p’la mesma colher
Numa união feliz e africana
A primeira colherada
Do menú familiar.
E só então, a refeição começa.
A toda a hora pelo dia  fora.
Vem chegando gente
Pró sagrado “Bocado”
Do avô extinto do ano que passou
E da filha arrancada à vida
em plena mocidade.

Cinzas…. Natal…
Exotismo dos trópicos?
- Uma pergunta e uma resposta que pairam nos ares


Alda Graça do Espírito Santo




A vida do dia a dia do “Povo Pequeno” de S. Tomé e Príncipe” já conheceu melhores dias: mesmo para quem tem de se conformar com o ordenado mínimo de cerca de 100 arranjar meios para  garantir o sustento  é um tremendo calvário! Que só quem tem de arrostar com essa pesada  cruz, é que poderá compreender o que é esse tão penoso sacrifício diário.: ”Temos  empresários descapitalizados; temos médicos descapitalizados!... As pessoas não têm dinheiro!... Nós sabemos que todos os países atravessam uma situação de crise mas nós estamos numa situação péssima!!...  Essa crise não tem limite em S. Tomé e Príncipe?!...  As pessoas não estão a morrer na rua por ser um pais agrícola! – Desabafo de um dos deputados da oposição”, no aceso e polémico debate preliminar que antecedeu a aprovação do projeto de lei sobre o futuro funcionamento do Tribunal constitucional – Até porque, como dizia outro deputado, nesse mesmo período parlamentar, “Hoje o Governo tem a mão de tudo! Até dos Tribunais!”

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