Jorge Trabulo Marques - Peregrino da Luz
Novo Ano 2026 - Mensagem de gratidão a S.
Tomé e Príncipe, à Guiné Equatorial e à
Nigéria - Países que marcaram para sempre a minha vida na aventura marítima.
Mas seja de Cósmicas e Fraternas Bênçãos,
de Tranquilidade e Prosperidade,
tanto no meu país, em Portugal, como em toda a Humanidade - Paz
na Terra e não aos promotores da Guerra
A Todos Vós Amigos e Amigas, Irmãos e Irmãs da Mesma Fraternidade Universal, que o Divino Foco Vos Ilumine e Vos Transmita as Suas Bênçãos Cósmicas Em Nome da Sagrada Irmandade da Luz
Ó sol esplendoroso! que curvas o espaço em cada Santo Dia!
Ó Luar da noite,que devassas as sombras,brilhas,és luminoso!
A que Astro pertence esta etapa, em que agora, vou sozinho?!...
Tu, ó Deus do Universo! Faz-me de mim o teu mais fiel pastor
Ordena que, no silêncio deste duplo e solitário ermo corredor,
possa decifrar o sinal que conduz e ilumina os bem-aventurados!
Sagrada Irmandade da Luz Em todas as Eras tem havido mulheres e homens, cujas almas têm sido profundamente tocadas pela Natureza, pessoas para as quais as Estrelas falam do seu gracioso silêncio, para as quais a Lua não é só um corpo celeste, para as quais as plantas e os densos bosques, são como as catedrais da alma. Pessoas que amam e respeitam a Natureza, tirando partido dela sem a destruir, pessoas que acreditam que homens e mulheres, têm os mesmos direitos e se respeitam". Integro-me neste Espírito Solar Universal.
Sejamos crentes ou agnósticos, acreditemos em Deus ou no Karma, a ética moral é um código a qualquer pessoa pode obedecer. Precisamos de qualidades humanas, como os escrúpulos, a compaixão e a humildade. Devido à nossa fragilidade e fraqueza humanas inatas, estas qualidades só são acessíveis através de um grande desenvolvimento individual, num meio social propício, de modo a que se possa criar um mundo mais humano”– In “O Caminho Para A Serenidade – Dalai Lama

BRINDE A SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE –Meus votos de que o Novo Ano 2026 recupere sua estabilidade social e política - Ilhas maravilhosas que geram poetas e convidam à contemplação e à poesia
A beleza natural de São Tomé e Príncipe é meio caminho andado para ser-se poeta – e estas ilhas têm grandes poetas: desde um Costa Alegre, a Francisco José Tenreiro, passando por Francisco Stockler, Alda do Espírito Santo, Conceição Lima, a Olinda Beja, entre outros, são nomes de elevada craveira, que atestam uma extraordinária literatura poética

Recordo momentos de alegria e convívio: as comemorações, em 12 de Julho de 2015, há 10 anos, sob a Presidência de Manuel Pinto da Costa, a grande figura carismática de STP, um dos principais dinamizadores e fundaores do MLSTP, atualmente atravessando alguns problemas de saúde, ao qual dirijo o meu renovado abraço e votos das suas melhoras - Brinde a que também se associou o então Presidente de Cabo Verde, Jorge Fonseca.

Uma das distintas figuras, com quem tive a honra e a grata satisfação de dialogar, antes da independência de S. Tomé e Príncipe e de quem, com igual simpatia e cordialidade, me despedi ao deixar esta maravilhosa Ilha para tentar a travessia oceânica, numa frágil piroga, de S. Tomé ao Brasil - Mas só, 39 anos mais tarde, o poder voltar aqui a reencontrar e abraçar, concedendo-me a honra e o prazer de me receber na sua residência oficial, no morro da Trindade – Gesto amigo e cordial, que muito me sensibilizou, de particular significado na minha vida profissional e do amor a uma terra, ao seu Povo, pacifico e generoso, a que me sinto ligado por laços de profundo afeto, como se fosse a terra onde nasci, como se fosse também um dos seus filhos.


Além disso, estou-lhe também profundamente grato pelo gesto amigo e cordial, com que me distinguiu, ao proporcionar-me o alojamento numa das vivendas do Palácio do Povo, no meu reencontro com S. Tomé, com o fim de me associar às comemorações dos 40 anos da Independência, bem como apresentar a exposição das minhas aventuras marítimas, assim como poder continuar o estudo das gravuras que julgo ter descoberto, em Anambô
Muito obrigado, Caro Presidente (sim, enquanto viver continuará a ser genuína imagem de uma Nação!)
Obrigado, Manuel Pinto da Costa, por todos estes gestos, tão amáveis e significativos, com um abraço caloroso e desejos das maiores felicidades e de que a saúde nunca lhe falte, para que continue a ser a Voz e a Mais Credível Referência para o bem-estar e progresso do Povo de S. Tomé e Príncipe - E os votos de que, tal como diz, “ o diálogo construtivo, nunca será uma causa perdida”
|
Jorge Marques com o Embaixador Tito Mba Ada
|
Guiné Equatorial - Meus Votos de Um Novo Ano Próspero e Tranquilo ao seu Povo. Recordo meu regresso 42 anos depois de ali ter acostado 38 dias numa piroga- Agradecer ao Presidente Obiang que me salvou de ser condenado à pena de morte por Macias Nguema, na famigerada cadeia Central, por suspeita de espionagem - Encontrei um país completamente diferente.
Estive em Malabo e em Bata, em Julho de 2017, participei na abertura do 6º congresso do Partido Democrático da Guiné Equatorial, e, no encerramento, assisti, filmei e fotografei a conferência dada pelo Presidente Obiang às várias cadeias de televisão.
Andei à vontade e tranquilamente por onde quis: usei a Internet, sem restrições, editando postagens neste site - Não fui, como jornalista mas como convidado especial - Privei e convivi com diplomatas, altas figuras do Estado, tendo tido mesma a assistência médica do próprio médico pessoal do Presidente, devido a um desarranjo intestinal, que me vinha preocupando, desde há dois anos, e convivi com o administrador do seu palácio e um dos seus familiares; fui recebido pelo Secretário-Geral do PDGE - Com Obiang ficou prá agendar. pois ele lembra-se de mim e manifestou também desejo em receber-me Falámos e sorrimos com gente simples e anónima. - Tendo sido recebido na sua deslocação a Portugal em Junho de 2022 - Tal como foi referido pelo jornalista João Carlos: Teodoro Obiang encontra-se com português que salvou da morte João Carlos 28/06/202228 de junho de 2022 De visita a Lisboa, o Presidente da Guiné Equatorial recebeu um jornalista português salvo por ele, detido em 1975 pelo regime do seu tio, Francisco Macías Nguema. Mas evitou falar sobre a pena de morte no seu país.https://www.dw.com/pt-002/teodoro-obiang-encontra-se-com-português-que-salvou-da-morte/a-6229460
 |
| No regime de Francisco Macias Nguema |

Fui preso nas masmorras do Odiondo regime de Francisco Macias Nguema – Ele “era conhecido por ordenar a execução de famílias e aldeias inteiras, forçou dezenas de milhares de cidadãos a fugir com medo de perseguição e proteger sua segurança pessoal. Intelectuais e profissionais qualificados eram um alvo específico (…)No final de seu governo, quase toda a classe educada do país foi executada ou forçada ao exílio. Entre os métodos de tortura utilizados estavam . "O balanço" (amarre o prisioneiro pelos pés e mantenha-o pendurado enquanto é espancado. Dada a brutalidade desses métodos, muitos prisioneiros morreram sofrendo com eles. Grande parte dos mortos durante a ditadura de Macías passou pela prisão”(…) A ilha de Fernando Pó, renomeada como "Isla Macías Nguema"

Em 3 de agosto de 1979, Teodoro Obiang Nguema derrubou Francisco Macías Nguema e assumiu o poder na Guiné Equatorial. Sua ação, aplaudida pelos guineenses e pela comunidade internacional, foi totalmente justificada: o país estava em um beco sem saída, esmagado pela tirania brutal imposta por seu primeiro presidente, eleito democraticamente onze anos atrás, quando aquela nação da África Central conquistou sua independência da Espanha, em 12 de outubro de 1968”. - Webe - Várias fontes. - Foi graças à sua intervenção que fui poupado da forca e libertado - Devo-lhe a vida. |

Diário de Bordo - 27 de Nov - 1975 - 38º Dia - Eis que, finalmente, depois de 38 dias, me encontro numa praia!... Junto a um recanto!... de uma magnífica montanha! De verdura!... Equatorial!... De plantas exóticas ! das mais variadas espécies!.... Foi extremamente difícil chegar até aqui!... Foi para além mesmo da minha resistência!... Mas finalmente , atingi esta costa!... Esta costa que se ergue aqui numa montanha de verdura!... De magníficas árvores, das mais variadas cores!...
Estas foram as últimas palavras que pronunciei para o meu diário gravado, um pequeno gravador que consegui preservar no interior de um contentor de plástico, igual aos do lixo. assim como a máquina fotográfica , cujos rolos o mar poupou mas que bem podiam ter sido confiscados pelas autoridades policiais da Guiné Equatorial, o que não aconteceu, porventura por descuido, já que, quando me prenderam, além de terem passado tudo a pente fino, até as gravações chegaram a ouvir, de ponta a ponta - E eram seis as cassetes. Pormenores em https://canoasdomar.blogspot.com/2017/07/portugal-e-guine-equatorial-embaixador.html

SOU UMA DAS ANTIGAS MANCHETES DO JORNAL NIGERIAN CHRONICLE - De Calabar - Uma dando a notica de quando aportei de canoa, numa praia de Calabar, na Nigéria,, após 13 dias desde S. Tomé à Nigéria - Em Março de 1975, -tive que fugir de canoa para evitar ser massacrado por um grupo de colonos por divulgar, na revista angolana Semana Ilustrada, de que era corespondente, as manifestações pró-independência. e as imagens do massacre do Batepá, de 3 de Fev de 1953, bem como de entrevistas a sobreviventes.- Mas, depois de ter sido repatriado, a Portugal, voltaria a S. Tomé para tentar a travessia oceânica, que haveria de se saldar por 38 longos dias e a prisão na Guiné Equatorial. por suspeita de espionagem.
A outra Manchete do jornal Nigerian Chronicle, de Calabar, de 12 de janeiro de 1976:, diz, que,"cerca de 30.000 nigerianos foram evacuados da Guiné Equatorial, escapando à prisão, tortura e assassinato de um dos déspotas mais cruéis de África.

Durante o regime brutal de Francisco Macias Nguema, os trabalhadores nigerianos nem sempre recebiam os seus salários e eram reprimidos com força bruta, o que levava a assassinatos.
Entre 1970 e 1971, pelo menos 95 nigerianos foram mortos na Guiné Equatorial, a maioria por exigirem os seus salários
Também, eu, nesse país, em finais de Novembro de 1975,enfrentei uma situação muto dramática.
Depois de ter voltado a S. Tomé, quis tentar a a travessia oceânica, em canoa, tendo ido acostar à Ilha de Bioko, da Guiné Equatorial, após 38 dramáticos dias à deriva,.
Nesse dia à noite, fui conduzido para os calabouços de uma esquadra, onde passei a noite conjutamente com vários trabalhadores nigerianos, suas mulheres e filhos, todos estendidos no chão, sobre uuma vulgar esteira

.
No dia seguinte, sou conduzido algemado à cadeia Blak Beack, considerada a cadeia mais sinistra de África, onde fui submetido a um intenso interrogatório, espancado e metido numa estreitissima cela, por me suporem espião.
Felizmente, cinco dias depois, no dia em que me estavam arrastar algemado para a forca, a meio do corredor, um inesperado telefonema do então comandante Obiang, atual Presidente, sobrinho do ditador Francisco Macias, ordena ser levado ao seu gabinete e acaba por acreditar nos meus argumentos e me concede a libertação., graças a uma mensagem, carimbada do MLSTP, destinada ao Povo Brasileiro,, a que já me referi numa das anteriores postagens
Exmo. Senhor´´
Embaixador da Nigéria em Lisboa
Haruna Musa,
Sou jornalista e autor de várias travessias em pequenas pirogas primitivas, nos mares do Golfo da Guiné, em 1970 e 1975: a primeira de S. Tomé à Ilha do Príncipe, em 3 dias, depois de S. Tomé à Nigéria, em 13 dias, em Março de 1975 – E depois a tentativa de travessia oceânica, que resultaria num naufrágio de 38 dias, tendo acabado por acostar na Ilha de Bioko
E tenho uma dívida de gratidão para com o seu país: dado o carinho e o humanismo como foi tratado: quer pelos pescadores na praia onde acostei, em Calabar, quer depois no hospital onde fui assistido, cuja noticia foi manchete no jornal de Calabar, cuja imagem recordo neste email. E também pelas próprias autoridades
Depois de ter sido repatriado para Portugal, voltei a S- Tomé para tentar a travessia oceânica, tendo acabado por acostar na Ilha de Bioko, antiga Ilha de Fernão do Pó, em 27 de Novembro de 1975, onde, então, me deparei com uma grande afronta: fui preso na prisão Black Beach, por me julgarem espião. Felizmente. Lá fui libertado, no mesmo dia em que já caminha para a forca, graças a uma mensagem que levava do MLSTP para ler quando chegasse ao Brasil.
Depois de ter apresentado a minha exposição, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, sob o título SOBREVIVER NO MAR DOS TORNADOS de 10 de Abril a 10 de Março de 1979, e, posteriormente, além de outros locais, no Centro Cultural Português, em S. Tomé, em finais de Julho de 2015, conforme documento no meu blogue
https://canoasdomar.blogspot.com/2015/07/em-s-tome-encerramento-da-exposicao.html pois teria muito prazer em partilhar esta minha experiência no seu pais
https://canoasdomar.blogspot.com/2024/11/perdido-no-golfo-da-guine-ha-29-dias.html ---- https://canoasdomar.blogspot.com/2024/11/independencia-de-angola-ocorreu-11-de.html
´

Em resumo, direi que sou autor de várias travessias em pequenas pirogas primitivas, nos mares do Golfo da Guiné, por força de muitos treinos, sempre que me era possível, de praia em praia, nas frágeis canoas dos corajosos pescadores de São Tomé, aos quais desejo aqui expressar um abraço de reconhecimento e de admiração, não apenas pela dureza e risco das suas vidas, em que se expõem, sempre que partem para o mar, como também pelos ensinamentos que me prestaram, já que foram eles os meus melhores mestres.

Depois de me sentir suficientemente preparado, que simplesmente a empreender as habituais saídas de canoa, na praia Maria Emília ou ir até à Fortaleza S. Jerónimo, na piroga que ali comparara a um velho pescador por 200$00, decidi fazer um teste um pouco mais ousado, indo de canoa desde a Baía Ana de Chaves até à praia de Anambô. Este é o local onde se encontra o padrão que assinala a chegada dos primeiros navegadores portugueses, justamente no ano em que se realizavam as comemorações do V centenário do seu desembarque, em destemidas e frágeis caravelas, filhos de um pequeno país, mas que, graças à sua notável valentia, à grande gesta destes e de outros navegadores portugueses, haveriam de mudar a história e a geografia do mundo, em admiráveis epopeias marítimas, cantadas nos épicos versos de Luís de Camões, corajosas façanhas que muito admiro, contrariamente a vários aspetos da colonização, cuja dura realidade também a senti no corpo e no espírito. A viagem de ida e volta, foi bem sucedida, não me oferecendo grandes dificuldades, concluindo que estava habilitado a outros desafios mais arriscados.
Um mês depois, aí estava eu, tal como aqueles intrépidos navegadores, e à semelhança dos arrojados pescadores destas maravilhosas ilhas, quando o tornado os arrasta para o desconhecido, a desafiar a vastidão do mar, num simples madeiro de ocá escavado.

Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que se pedisse autorização esta me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. No regresso de avião a São Tomé, fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Levei três dias e enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar. Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio do sorvedouro denegrido das águas.
Cinco anos depois, numa piroga um pouco maior, fiz a ligação de São Tomé à Nigéria. Uma vez mais parti sem dar a conhecer os meus propósitos, ao começo da noite, servindo-me apenas de uma simples bússola. Ao cabo de 13 dias chegava a uma praia ao sul deste país africano, tendo sido detido durante 17 dias por suspeita de espionagem, após o que fui repatriado para Portugal. Os jornais nigerianos destacaram em primeira página o feito.
Os objetivos destas travessias visavam demonstrar a possibilidade de antigos povos africanos terem povoado as ilhas, situadas no Golfo da Guiné, muito antes dos outros navegadores ali terem chegado, contrariamente ao que defendem as teses coloniais, que dizem que as ilhas estavam completamente desabitadas. E a verdade é que, entretanto, já foram encontradas antigas cartas em arquivos, com nomes árabes que testemunham esses contactos. Contributos esses que, de modo algum, poderão pôr em causa o mérito dos ousados feitos dos navegadores portugueses.

Regressado a São Tomé, ainda no mesmo ano, e já com São Tomé e Príncipe independente, tentei empreender a travessia ao Brasil, com o propósito de reforçar a minha tese, evocar a rota da escravatura através da grande corrente equatorial e contribuir para a moralização de futuros náufragos, à semelhança de Alan Bombard. Segundo este investigador e navegador solitário, a maioria das vítimas morre por inação, mais por perda de confiança e desespero, do que propriamente por falta de recursos, que o próprio mar pode oferecer. Era justamente o que eu também pretendia demonstrar. Navegando num meio tão primitivo e precário, levando apenas alimentos para uma parte do percurso e servindo-me, unicamente, de uma simples bússola, sem qualquer meio de comunicar com o exterior, tinha, pois, como intenção, colocar-me nas mesmas condições que muitos milhares de seres humanos que, todos os anos, ficam completamente desprotegidos e entregues a si próprios. Porém, quis o destino que fosse mesmo esta a situação que acabasse por viver.
Nenhum comentário :
Postar um comentário