Jorge Trabulo Marques - Jornalista
PRESIDENTE DO INSTITUTO DE TRABALHO, PRESSIONOU O GOVERNADOR A EXPULSAR-ME DE S. TOMÉ - COLOCOU O LUGAR A DISPOSIÇÃO: OU EU ERA EXPULSO OU ELE SE DEMITIA MAS A REVOLUÇÃO DE ABRIL ESTAVA NA RUA E TROCOU-LHE AS VOLTAS
Momentos felizes e de euforia que não iriam repetir-se no rosto dos portugueses, ali radicados ou nascidos, que não esperavam por um 25 de Abril, mas a que a população aderiu com sentimento de alegria e libertação -
Claro,
dir-se-á hoje que tudo
foi muito precipitado, é verdade, com prejuízos para
ambas as partes e que podiam ter sido evitados se o regime colonial - antes do
25 de Abril- tivesse compreendido os ventos da História e preparasse uma elite
africana - Além de não o ter feito, perseguiu aqueles que pretendiam novos
rumos. Promovendo uma guerra inútil com milhares de vítimas.

Era na altura, operador de rádio, no Emissor Regional de São Tomé e Príncipe – Nesse dia, fui destacado para fazer a cobertura, na esplanada da Pensão Henriques, com a comunidade portuguesa, oriunda das Beiras - o Núcleo Beirão: desempenhava a dupla função de operador e de repórter.

Sim, completaram-se à meia noite de 31 de Dezembro de 2015, a bonita soma de 41 anos, sobre a última festa da passagem do ano, na era colonial – Era bem mais novo e bem mais sonhador - Dias para dar largas às alegrias e se esquecerem as agruras da vida. Tem sido assim, no dobrar do calendário, quando um ano acaba outro começa: é o renovar das esperanças. A vida tem que se alimentada de ilusões, senão tornava-se insuportável.
Em S. Tomé, a passagem do ano, a bem dizer, até era o grande acontecimento dos 12 meses - Não havia outra data mais desejada - Não havia televisão de canal aberto - salvo a telescola, que, segundo me recordo, era em circuito fechado, pelo que a rádio era a grande rainha da informação, a estar sempre nos maiores acontecimentos - Fechava os olhos a muita coisa, pois assim lhe impunham as leis da censura, mas nas festas de cortar a fita, no futebol ou nos espetáculos musicais, nunca faltava. - E, obviamente, que, sendo assim, não podia deixar de fazer a cobertura à passagem do ano 73-74.


Não vou aqui recordar esse calvário; à frente direi mais alguma coisa mas agora do que estou a falar é daquela já distante passagem de ano. A cobertura, pela rádio, naquele dia, era assegurada diretamente dos salões de várias coletividades: da Casa do Benfica, do Sporting, do Clube Militar e de Santana - Com festas abrilhantadas pelos mais populares grupos musicais da Ilha, com a sua música típica, convidativa à dança, a puxar ao sentimento e ao “flogá. O grosso da população, à exceção da pequena elite santomense, estava à margem destas festas ou então optava pelos "fundões" mais modestos.
OS SANTOMENSES
DIVERTIAM-SE NAS PRAIAS AO NASCER DO SOL

VÍDEO SONORIZADO
COM OS SONS E VOZES DA REPORTAGEM DA
COBERTURA DA RÁDIO – FIM DO ANO 1973/74
O vídeo, editado no
You Tub, é ilustrado com algumas
fotos das muitas reportagens, sim, das centenas que publiquei na revista Semana
Ilustrada, de Luanda – A qualidade, não é a melhor mas julgo que, para as
gerações dos cabelos de prata, que nasceram em S. Tomé, ou que lá viveram, idos
de Portugal, é capaz de ter
o seu
interesse, quanto mais não seja, como memória ou documento histórico.
Mas até creio que, como motivo de curiosidade, é mais abrangente.
JORNALISTA E
OPERADOR DE RÁDIO – NESSE DIA TAMBÉM FIZ REPORTAGEM RADIOFÓNICA – MAS NEM ASSIM LOGREI SER ADMITIDO NO QUADRO:
Oito
dias depois, fui banido da admissão, por ter levantado a questão da problemática do turismo, na
revista Semana Ilustrada -

Instaurou-me um processo

VIRTUDE DE SUMÁRIO INQUÉRITO SOBRE PROCEDIMENTO OPERADOR
JORGE LUIS MARQUES. REFERIDO NSI 1929 12 CORRENTE FECAEEE PELO VEXA NÃO
CONSIDERAR AQUELE OPERADOR PARA INCLUSAO ARTIGO
19/0
CUMPRIMENTOS
CARLOS DIAS ER STP"
PRESIDENTE
DO INSTITUTO DE TRABALHO, PRESSIONOU O GOVERNADOR A EXPULSAR-ME DE S. TOMÉ - COLOCOU O LUGAR A DISPOSIÇÃO: OU EU ERA EXPULSO OU
ELE SE DEMITIA MAS A REVOLUÇÃO DE ABRIL ESTAVA NA RUA E TROCOU-LHE AS VOLTAS


A revolução apanhou de surpresa, a generalidade dos colonos. A liberdade de expressão, ainda não era bem aceite: a mentalidade colonial, reinante, não ia mudar de um dia para o outro. Por isso, caso não viesse a contar com a compreensão e o apoio do então Alto-Comissário, Pires Veloso, estou certo que tinha sido demitido da rádio e expulso para Portugal, tal como foram alguns revolucionários do MLSTP.


Chamavam-lhe o cavalo branco, pela sua cabeleira grisalha e postura autoritária.
Era uma figura mal vista, sinistra, que passava os fins-de-semana nos banquetes dos roceiros . Quando tive oportunidade de criticar a sua atuação, colocou imediatamente o lugar à disposição: ou eu era expulso ou ele se demitia

Os jornalistas são sempre as primeiras
vítimas, os bodes-expiatórios da ira popular, das guerras e conflitos - Em S.
Tomé, só não me lixaram, talvez por milagre - Mas não foi da população nativa
que partiram as agressões e ameaças. Aliás, foi no seio desta que eu fui
protegido.
A
minha sorte foi que, nessa
altura, o governador Cecílio Gonçalves (aliás, uma excelente pessoa) já
quase não mandava, visto não se adaptar ao desenrolar dos
acontecimentos, tanto
em S. Tomé, pelas manifestações da população, que exigia a
independência, como em
Lisboa, acabando por abandonar a colónia - E, quem o veio a substituir, não quis embarcar
nas pressões pró-coloniais dos roceiros e de Spínola, optando por criar
condições para que o processo da descolonização, decorresse, pacificamente
sem derrame de sangue. Tal como escrevi neste site, em -
http://www.odisseiasnosmares.com/2014/08/general-pires-veloso-e-hoje-sepultado.html
“NÓS E O PRESIDENTE DO
INSTITUTO DE TRABALHO
“Da Repartição de Gabinete
do Governo de São Tomé e Príncipe, recebemos o seguinte oficio:
Incumbe-se Sua Excelência
o Encarregado do Governo de solicitar, nos termos do art, 414, do E.F.U., a transcrição seguinte comunicado
na Revista da mui digna direcção de V. Exa, como mesmo destaque e na mesma página
em que a noticia foi publicada;
Sob o título: “Nós e o
Presidente do Instituto de trabalho” , e assinado por Jorge Trabulo Marques, publica
o número 366 da revista “SEMANA ILUSTRADA”, um artigo me que se produzem várias
afirmações que põem em causa a actuação do actual Presidente do Instituto do Trabalho
e Acção Social desta província”
NÃO CEDI ÀS AFRONTOSAS AMEAÇAS E CHANTAGEM


Não
sei se V. Exa
já tinha dado conta que não goza de muitas simpatias em S. Tomé. (no
Príncipe, não sei o que lá vai). E parece-me que afinal não só das
classes trabalhadores com até de certas entidades patronais, para as
quais, V. Exa,
não vem tomando idêntico critério que usa para com outras.

No que respeita à
calasse dos trabalhadores, vários têm sido os trabalhadores que se
nos têm vindo a lamentar da sua pessoa. Não pretendemos apontar ninguém, até
porque não é essa nossa função. Ainda, há dias, por exemplo, um
trabalhador de uma roça veio ter connosco dizendo que tinha sido despedido sem
justa causa da propriedade onde trabalhava. Ainda por cima lhe passaram
uma guia (cuja fotocópia temos connosco ) para efeitos. de apresentação às
entidades oficiais, em que se referia que o dito trabalhador se
havia despedido, mas tinha sido precisamente o contrário, segundo ele próprio
nos declarou.” – Excerto
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Foto publicada na Revista Semana Ilustrada |

-
Vindas de indivíduos que ainda
hoje se gabam no Facebook das sórdidas patifarias, que me fizeram - Os
mesmos que se opuseram à descolonização de S. Tomé e Príncipe, e que
hoje têm lá empresas a desfrutarem dos benefícios de um Povo Livre e
Pacífico .
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Não era tido como pessoa muito simpática. Valia-se mais da sua posição social, de que propriamente da forma como se relacionava. - Pois, entre outros cargos, chamava a si a função de examinador das cartas de condução: ótimo posto para sondar confidências e passar nos exames - Contudo, quando acompanhava o Presidente da Câmara, o então Dr. Pinto Coelho (este sim, até era uma pessoa afável), parecia um cordeiro atrás do pastor, desfazendo-se em mesuras e sorrisos. Aliás, é postura que ainda hoje parece cultivar: a das aparências e de se juntar sempre à carruagem VIP
DEPOIS DO 25 DE ABRIL, A TROPA FEZ A LIMPEZA DO CONTEÚDO DOS PROCESSOS INSTAURADOS PELA PIDE - E SE NÃO FOSSE A SEMANA ILUSTRADA, ATÉ PARECIAM QUE ESTAVAM A GOZAR UMAS FÉRIAS

Atualmente, mesmo que se queira fazer uma investigação, em relação à atuação da PIDE; em S. Tomé, penso que não é possível: tanto pelos condicionalismos da lei, como pelo facto dos arquivos terem sido todos limpos. Assisti ao transporte dos armários.dos arquivos
Como fui preso, quis saber o que constava da minha fixa, só lá descobri as capas do processo: - A tropa, subordinada ao Comando Territorial Independente, foi lesta em defender a PIDE -
Se não fosse uma manchete da minha revista, os agentes da PIDE continuavam a passear.se por lá, como se nada tivesse mudado - Pena não terem chegado algumas edições a Portugal, após o 25 de Abril.
Aliás, numa certa manhã, um dos PIDES,, sentado com outros PIDES, ao lado da minha mesa, na esplanada do Rialto, afirmava, de expressão risonha, alto e em bom para que toda a gente o ouvisse: "eles vão precisar também de nós!" - E toca de entornar cervejas para as gargantas - Curiosamente, lembro-me que nessa mesa, até estava o tal Duarte, mais bebericando e rindo do que falando - Mas, como toda a gente os conhecia, muitos colonos conviviam com eles.
Só depois de um artigo de minha autoria, alertando para a provocação da sua ostentação pública, é que então foram mandados para a Quinta de Santo António, a mesma que havia albergado as crianças do Biafra. Essa minha consulta, na Torre do Tombo, ainda ocorreu em boa altura, ou seja, antes de algumas forças políticas, aprovarem leis restritivas.

.. SE ME APANHASSEM, TERIA SIDO DEGOLADO E DESFEITO!... - Em toda a parte os jornalistas são sempre as primeiras vitimas da ira popular, da intolerância e do ódio - Em todos as guerras e conflitos - Mas não só.
Um total de 110 jornalistas foram mortos em todo o mundo em 2015, informou a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) nesta terça-feira (29), destacando que a maioria foi vitimada por causa de seu trabalho em países supostamente pacíficos.Mais de 100 jornalistas foram mortos em 2015,....Os países onde mais morreram jornalistas em 2015 -.....Dois jornalistas mortos a tiro em direto nos EUA.................Brasil registra o maior número de jornalistas assassinados ....
..
Naturalmente que
não posso culpabilizar a generalidade dos colonos portugueses pelas
suas atitudes intempestivas: - os brancos foram apanhados de surpresa pelo
desenrolar dos acontecimentos e andavam muito nervosos, receando pelo seu
futuro. Ninguém os molestou fisicamente - E a única vida que se
perdeu, até foi a de um santomense, com uma bala da tropa: o acidente ocorreu
a 6 de Setembro: Rodrigues Pinta de 59 anos, estivador, conhecido por
Giovani, foi morto "por uma bala perdida" durante uma manifestação
acalorada no Bairro do Riboque -
Nesse mesmo dia, .Paulo Ferreira, um soldado de 23 anos da Companhia de Caçadores de S. Tomé e Príncipe, morreu num brutal acidente de viação, quando a sua unidade regressava da roça de Santa Catarina.
Os jornalistas são sempre as primeiras
vítimas. os bodes-expiatórios da ira popular, das guerras e conflitos - Em S.
Tomé, só não me lincharam, talvez por milagre - Mas não foi da população nativa
que partiram as agressões e ameaças. Aliás, foi no seio desta que eu fui
protegido
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Por duas vezes todos os pneus à navalhada |
39 anos depois |
Nesse mesmo dia, .Paulo Ferreira, um soldado de 23 anos da Companhia de Caçadores de S. Tomé e Príncipe, morreu num brutal acidente de viação, quando a sua unidade regressava da roça de Santa Catarina.
As constantes
manifestações populares, reclamando a independência, causavam-lhes alguma
instabilidade. Ora, nestas coisas, como geralmente acontece, nos conflitos, os
jornalistas são sempre as maiores vítimas, o bode expiatório da situação
- Enquanto em Angola, havia uma guerrilha declarada, que ceifava já milhares de
vidas de parte a parte, em S. Tomé, a luta era diferente - O povo é por natureza
pacífico. Em São Tomé e Príncipe, não existia criminalidade, senão
esporadicamente e mais do foro passional - Apesar da população ter sido tão sacrificada ao longo dos séculos,
à exceção das revoltas do "angolares" (etnia, dedicada especialmente
à pesca), os maiores problemas, com que a colonização portuguesa nas
ilhas, se teve de bater, foi com os corsários franceses e holandeses.

Por conseguinte, quando o Povo Santomense, teve oportunidade
de sair à rua e se manifestar, exigindo abertamente a independência,
fê-lo calorosamente, mas sem atos de violência - No entanto, para os colonos,
tais manifestações eram entendidas, como uma ameaça à sua continuidade nas
Ilhas. De certo modo, é verdade - as roças, principal fonte da exploração
colonial, nunca serviram o povo santomense mas os donos dessas grandes
propriedades, que viviam refasteladamente em Lisboa: os chamados turistas da
Gravana, que só ali iam a dar umas passeatas e a banquetear-se em lautas jantaradas
- Salvo o administrador, o chefe de escritórios e o feitor-geral, em cada
roça, o resto, tanto empregados brancos, como trabalhadores, não passavam de
escravos: pessoalmente, passei por esse dura experiência.
ESPALHARAM-SE
POR TODAS AS RUAS - O QUE ME VALEU FOI TER DESCOBERTO A ESCADA DE UMA
PORTA ABERTA E REFUGIAR-ME NO TELHADO DESSE PRÉDIO

TIVE QUE ME
REFUGIAR, EM CASA DE UM SANTOMENSE: dos pais do Constantino Bragança, que,
tendo assistido à perseguição, se deslocou à noite ao local para me colher no
seu modesto casebre, algures no mato: Sr. Jorge! Pode descer, que os brancos
foram todos para o quartel da Polícia Militar e do Cinema Império e venha para
a minha casa"
A minha casa ficou irreconhecível, num monte de destroços. Como não me apanharam
lá no seu interior, deixaram-me à porta o laço da prometida forca de corda. Pelos
vistos, em qualquer parte do mundo, os jornalistas são sempre as primeiras
vítimas. É neles que descarregam todos as iras e ódios. Ainda hoje, ao escrever
estas linhas, se me toldam os olhos, tal os maus momentos por que passei.
Ao meu modesto carro, por duas vezes, lhe furaram os pneus à navalhada.- Não me
importo de ser confrontado com os elementos da natureza mais hostil, mas
ser atingido pelo ódio humano é mil vezes pior!...Não é medo é um
sentimento de profunda tristeza e revolta.
VÍDEO DE HUMOR, ROSTOS, PAISAGENS E MÚSICA DE SÃO TOMÉ – “Turista Americano” entrevistado pelo “Emissor Anfíbio do Pantufo” – Memórias do ERSTP de há 42 anos –
Programa de Humor com desfile de rostos e panoramas
maravilhosos de S. Tomé, e , por fim, com a audição de um antigo
trecho de música típica santomense . Acompanhe-nos na entrevista, que eu
próprio fiz a John da Purificação Semith”, o “Turista Americano”
que descobriu S. Tomé, em 1973 para visitar a ilha e escalar o Pico Cão
Grande - Uma rábula de humor, transmitida num programa radiofónico, do
extinto Emissor Regional de S. Tomé e Príncipe, que aqui lhe
recordamos, com várias imagens da Ilha, que eu registei 39 e 40
anos depois de ter partido numa canoa para tentar a travessia de S. Tomé
ao Brasil
Fora
admitido a operador de Rádio, a nível de
um regime precário, salvo erro, em 1971 – Lograra entrar para a rádio, no seguimento dos
meus artigos publicados na Semana Ilustrada, de Luanda – Deu-se a feliz coincidência,
de, após a minha travessia de canoa de S. Tomé ao Príncipe, em Fevereiro de
1970, se encontrar o chefe de redação daquela revista, em S. Tomé, que, ao
tomar conhecimento da minha aventura, me convidou a fazer o relato na referida
publicação, que acabou por ser ali editado
em quatro edições, situação que iria dar novo rumo à minha vida em S. Tomé





As reportagens tiveram um grande impacto e, mercê dos meus dotes literários, fui então convidado a continuar a colaborar, ao mesmo tempo que trabalhava como Técnico Agrícola, na Brigada de Fomento-Agro-Pecuário, na tentativa de ali concluir o meu estágio de Agente Rural, já que fora este o motivo que, antes da tropa, aos 18 anos, me levara a embarcar para S. Tomé, o que não conseguira nas roças, onde não me adaptei

Alguns dos meus artigos, não chegaram a ser publicados, foram-me devolvidos com o risco da censura – Mesmo assim, apesar dessas limitações repressivas, pude publicar ainda muita coisa – Com o 25 de Abril, as liberdades de expressão foram instauradas, e, obviamente, os meus artigos passaram a incomodar as mentalidades que não aceitavam a descolonização e novos ventos da história. Fui vitima de feroz perseguição por alguns colonos, de traiçoeiras e cobardes agressões, ao ponto de ter que me sair da ilha, numa canoa, com destino à Nigéria: eu já andava há algum temo com o desejo de fazer essa viagem para comprovar que as canoas poderiam fazer longas travessias, entre a continente e as ilhas e terem sido os primeiros povoadores, pelo que, em vez de procurar sair de barco ou de avião, aproveitei para o fazer de canoa. Uns meses depois, no mesmo ano, voltei a São Tomé, já país independente, para empreender um teste, ainda muito mais ousado: a travessia de S. Tomé ao Brasil. Não vou agora aqui descrever os pormenores, desses longos e atribulados 38 dias, pois, já os relatei neste site, e tal me levaria longe.
SEMANA ILUSTRADA – O ÓRGÃO DA IMPRENSA ESCRITA - DO EXTERIOR – QUE MAIS PÁGINAS DEDICOU A S.
TOMÉ E PRÍNCIPE, ANTES E DEPOIS DO 25 DE ABRIL
A Semana Ilustrada, era muito apreciada e popular, nas Ilhas
Verdes do Equador, tanto pelos santomenses, que a chegaram até a homenagear,
como pela comunidade portuguesa – Esta só nos deixou de apoiar, quando passamos
a publicar artigos das manifestações pró-independência e dos massacres do Batpá
Adicionar legenda |



Obviamente, que, com a libertação do regime ditatorial, o que é
que se esperava?... Que continuássemos a ter que medir bem as palavras? – Por nossa
parte, não hesitamos: entendemos que o caminho era o da democracia e da
libertação do domínio colonial – É um facto que, muitos erros se cometeram, num
pais que ensaiava os primeiros passos do seu próprio caminho, e, então, em Portugal, não
se cometem ainda grandes erros, hoje? – Por nosso lado, não nos estamos arrependidos dos que
escrevemos.